Informativo Nº 42- Ano 7- 2006 www.brazilianfruit.org
 Edição                            Nº 42- Ano 7- 12/2006

Editorial!

O Fruit News deste mês traz uma matéria feita com dois grandes canais de comercialização de frutas.

No Mercanotas você encontra a análise do fechamento das exportações brasileiras de frutas frescas e processadas. O Ponto de Vista apresenta Moisés Lopes de Albuquerque - Gerente Executivo da ABPM, abordando o “Desenvolvimento da Indústria Brasileira de Maçã”. O Flash traz notícias sobre a cultura da banana e a criação da Frente Parlamentar da Fruticultura, além de uma dica de leitura. Aproveite!

O Mercado Interno

O Brasil produz 39 milhões de toneladas de frutas (IBGE-2004), é o terceiro maior produtor do mundo, possui um clima favorável para o cultivo de frutas tropicais e temperadas e apesar disso, importa 224 mil toneladas.

O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, teve um aumento de 80% na importação de frutas, como: pêra, maçã e frutas de caroço; devido a grande demanda do consumidor por variedades diferentes. Segundo Leonardo Miyao, diretor de comercialização de FLV do grupo, “o mercado interno de frutas está crescendo bastante, mas ainda falta visão global para o fruticultor brasileiro”.

Algumas iniciativas já estão sendo desenvolvidas, como é o caso do programa desenvolvido pela Secretaria da Agricultura em conjunto com as Câmaras Setoriais, que determina normas de qualidade pela identificação de origem, homogeneidade e padronização de embalagem.

Este programa começou em São Paulo, mas hoje muitos estados já aderiram as normas. Em São Paulo, é operacionalizado pela CEAGESP que atende 32 produtos. A adesão ao programa não é obrigatório, porém aqueles que cumprem as normas recebem um treinamento especial, bem como o acompanhamento técnico do seu produto.

Há também o programa Garantia de Doçura, que está sendo realizado com a uva da região de Jales. O controle da doçura é feito na origem e monitorado no mercado, pelos técnicos da CEAGESP, conforme Anita Gutierrez “o produto mais doce vale mais”, para isto é realizada uma promoção desta fruta com banner’s, panfletos e assessoria de imprensa, Anita afirma que com isso na última safra os produtores que fizeram parte do programa tiveram um retorno 30% maior do que na safra anterior.

A postura do produtor de apenas plantar e colher está aos poucos se desvencilhando, dando lugar ao empresário da fruticultura, que se adapta às necessidades do consumidor, e atende as normas de qualidade.

Com isso, Leonardo Miyao afirma que prefere comprar diretamente do produtor, o que hoje representa 70% da sua cartela de fornecedores de frutas, pois possibilita a adequação do produto às demandas do consumidor, como pequenas alterações na embalagem ou maturação que podem garantir um grande retorno em vendas, como foi o caso do mamão que triplicou as vendas depois de realizados ajustes na maturação.


Anita de Souza Dias Gutierrez - Coordenadora do Centro de Qualidade em Horticultura
Leonardo Miayo - Diretor de Comercialização de FLV do Grupo Pão de Açúcar

MERCANOTAS
Garantia de bons negócios!
Resultados das Exportações 2005

As exportações brasileiras de frutas fecharam 2005 com saldo positivo, foram exportadas US$ 440 milhões de produtos frescos, atingindo um crescimento de 19% comparando-se com o ano anterior. O saldo da balança comercial ficou em US$ 315 milhões.

Este resultado se deve principalmente a exportação da uva que obteve um crescimento de 103% em valor, devido ao aumento das exportações da variedade sem semente, outro fato foi a consolidação no mercado americano, com crescimento nos embarques para este país de mais de 200%, comparado com o ano anterior.
A banana foi a fruta que mais exportou em termos de volume. Fechou 2005, com 212 mil toneladas, enquanto em 2004 somaram 168,8 mil toneladas, ou seja crescimento de quase 13%. Porém a banana tem baixo valor agregado e, por isso, a receita é menor, somou US$ 33 milhões em 2005.

O melão ocupa o segundo lugar em valor e volume exportado e está numa boa fase, pois vem aumentando seu valor agregado devido ao aumento da comercialização de variedades nobres. Exportou em 2005, 179 mil toneladas rendendo US$ 91 milhões, um crescimento de 44% em volume e 26% em valor.

Entre os processados, depois do suco de laranja, grande campeão de exportações, vem a castanha de cajú com US$ 187 milhões. O suco de maçã também merece destaque exportou US$ 24 milhões, correspondendo a 33 mil toneladas, obteve um crescimento de 19% em valor e 6,9% em volume.

Fonte: SECEX/DATAFRUTA-IBRAF
Ponto de Vista
O espaço que faltava para você
expor suas idéias
Desenvolvimento da Indústria Brasileira da Maçã

A grande arrancada comercial da Indústria Brasileira da Maçã aconteceu em 1976. Pouco depois, em 31 de janeiro de 1978 era fundada a ABPM – Associação Brasileira de Produtores de Maçã, com um objetivo muito saliente: estabelecer e executar ações estratégicas setoriais voltadas à produção e promoção do consumo da maçã no Brasil.

Na época, praticamente toda a maçã consumida no País era importada, e, portanto pouco acessível ao brasileiro de renda média. O grande volume desta fruta era da variedade Red Delicious, que até hoje constitui o grosso da oferta da Argentina, origem de mais de 90% das importações brasileiras de maçã. Esta variedade apresenta ótima aparência, no entanto é “farinhenta”, como popularmente se diz, ou seja, com pouca consistência, oferecendo quase que nenhuma sensação de suculência e crocância.

Então, o foco dos produtores via ABPM voltou-se ao estabelecimento de ações que viessem a conferir ao brasileiro, uma melhor qualidade de consumo que aquela oferecida pela fruta importada, e ademais, democratizar o consumo do produto.

O primeiro passo para a conquista das metas foi a pesquisa de variedades que ao mesmo tempo se adaptassem as condições climáticas do Sul do Brasil, e oferecessem sensação prazerosa ao paladar. Neste ponto foi brilhante a escolha das variedades Gala, de origem neozelandesa e Fuji, proveniente do Japão, que constituem cerca de 95% da produção nacional. A Gala é a variedade mais demandada mundialmente, e a Fuji é de sabor extremamente doce.

A partir do estabelecimento das citadas variedades, o trabalho da ABPM focou-se em vários outros objetivos específicos. Mantemos uma comissão técnica de definição e acompanhamento de pesquisas voltadas ao desenvolvimento da qualidade e produtividade de nossos pomares. Temos executado no Brasil e no exterior campanhas promocionais da maçã brasileira, comunicando ao consumidor o prazer de saborear uma maçã, e os benefícios à saúde inerentes à fruta.

Os números refletem os resultados destes esforços. Na Safra 1977/78 o Brasil importou 190.217 toneladas contra uma produção de apenas 14.218 toneladas. Na Safra 2003/04 a produção brasileira subiu para 990.000 t e a importação caiu para 42.000 toneladas. Atualmente o segmento da maçã emprega direta e indiretamente em nosso País cerca de 135.000 pessoas, e o produto é consumido de uma extremidade a outra do Brasil.

A perspicácia e tecnificação do produtor brasileiro foram fundamentais para este crescimento. Trouxeram eficiência à produção, instigaram investimentos em complexos de última geração para a classificação, embalagem e armazenagem da fruta, e possibilitaram a adequação da pomicultura nacional aos mais exigentes protocolos nacionais e internacionais de certificação, com destaque para o Eurepgap, Produção Integrada de Maçã e APPCC.

Uma conquista recente da ABPM a ser destacada foi a isenção do ICMS nos Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, que se uniram aos estados de Minas Gerais e Goiás, onde a fruta já estava livre do imposto. As atividades seguirão com o intuito de alargarmos a conquista para outros estados, retificando uma injustiça: a maçã é a única fruta de cultivo representativo no Brasil a pagar ICMS.

Muitas outras ações permanecem como desafios à ABPM. A conquista de crédito com volume de recursos e taxas que atendam as necessidades e realidade do Setor é um exemplo. Ademais, estamos constantemente alertando às autoridades brasileiras acerca de quão equivocada é a possibilidade de importação de maçã chinesa sob os pontos de vista sócio-econômico, ou seja, é uma ameaça enorme ao grande volume de empregos aqui gerados, de risco à saúde do consumidor, de perigo de introdução de novas pragas e de oferta de um produto de qualidade de consumo duvidosa, representando o caminho oposto daquele que deu ensejo à criação da ABPM pelos produtores nacionais.

Moisés Lopes de Albuquerque
Gerente Executivo da ABPM – Associação Brasileira de Produtores de Maçã

FLASH! Fique por dentro do que acontece no setor !
Banana recupera faturamento

A estimativa da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte) é que 5% da produção dos 3,5 mil filiados seja exportada para a Europa ainda este ano. Segundo o presidente da Abanorte, Dirceu Polares, Minas Gerais está conquistando o mercado internacional pela qualidade da banana, em comparação com os países da América Central, onde o uso de agrotóxicos e defensivos chega a ser dez vezes maior que no país. (fonte: Diário do Comércio)

Fruticultura ganha frente de
defesa em fevereiro

Frente Parlamentar em Defesa da Fruticultura começou a ser desenhada ontem, em Brasília, em reunião, entre o deputado Afonso Hamm (PP-RS), com o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) e da Câmara Setorial Nacional da Fruticultura, Moacyr Saraiva Fernandes. Agora, o setor deve formatar a proposta de estatuto da Frente e reunir os parlamentares identificados com a atividade. O lançamento deve acontecer em 15 de fevereiro. (fonte: Correio do Povo)

 
Participação Brasileira na FHA em Cingapura

A FHA acontece de 25 a 28 de abril, é a feira de negócios mais importante da Ásia, com caráter multi setorial engloba 7 eventos especializados da indústria da alimentação e hospitalidade.

Durante o evento acontecem diversos programas paralelo, como conferências e seminários, que têm como objetivo apresentar as novidades, discutir o mercado, além de possibilitar o encontro entre importadores e exportadores.

Para a próxima edição o IBRAF terá uma área total de 42 m2 dividos em 4 módulos.

Mais informações sobre FHA 2006, podem ser solicitadas direto com o IBRAF no telefone (11) 3223-8766, com Camila, ou camila@ibraf.org.br

DICA DE LEITURA!
UVA: do plantio a produção, pós-colheita e mercado

Editores: Ivo Manica e Celso V. Pommer Editora: Cinco Continentes N° de Páginas: 192 Fotografias coloridas: 128 Preço na fase de pré-lançamento: R$ 42,00 e 10,50 correio = R$ 52,50 reais Preço lançamento: R$ 59,00 e 10,50 correio = R$ 69,50 reais